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Dr. José Carlos Garcia Jr.

Especialista em cirurgia de ombro, cotovelo e artroscopia

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Tratamento artroscópico do impacto do coracóide, técnica e resultados preliminares.

Apresentado
Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
2008 Porto Alegre-Brasil

Introdução
O impacto do coracóide, descrito por Gerber, é reconhecidamente uma
patologia rara e subdiagnosticada. Todavia, tem sido cada vez mais
reconhecida como causa de dor no ombro ( Lo e Burkhart, 2003). Para
tratamento desta patologia, apresentamos a técnica de coracoplastia
subdeltóide, com liberação do ligamento córaco-acromial, na base do
coracóide. Esta técnica difere da maioria das técnica sugeridas na literatura,
que sugerem abordagem através do intervalo rotador ou técnicas abertas.
Apenas uma descrição de técnica feita por Karnaugh, Spurling e Warren
(2001) mostra técnica com certa similaridade a nossa.
Além da demonstração da técnica mostraremos nossos resultados
preliminares pós-operatórios nesse trabalho.

Materiais e Métodos
De janeiro de 2006 a outubro de 2007 foram operadas sete casos, esistentes
ao tratamento conservador, que incluiu uso de AINH, AIH, fisioterapia e
infiltrações.
Todos os pacientes apresentavam sinais leves de impacto subacromial e
grande dor aos testes de Hawkins e ?cross arm?, sem sinais de osteólise.
Um paciente apresentou concomitantemente sinais de sobrecarga acrômio-
clavicular com artrose. Um paciente apresentava concomitantemente lesão
do tendão do upraespinhal.
Os critérios de escolha do tratamento foram essencialmente clínicos, e em
poucos casos o estudo de ressonância magnética e ultrassonografia foram
contundentes para o diagnóstico.
Em todos pacientes foi realizada artroscopia em posição de cadeira de
praia com acesso subdeltóide com visualização do coracóide pelo portal
lateral e, após a coracoplastiam utilizou-de da visão pelo portal anterior
para melhor mensuração do resultado da cirurgia.
A avaliação dos pacientes foi realizada sempre pelo mesmo médico, pré e
pós-operatória e as cirurgias também foram realizadas pelo mesmo médico.
O grau da dor pré e pós-operatória foi avaliada usando uma escala
subjetiva com nota 10 para a dor atual e 0 indolor. Os resultados pré e pós-
operatórios também foram medidos utilizando o UCLA.
Resultados
A média de idade foi de 37,85 anos, variando de 26 a 56, sendo 4
pacientes do sexo masculino e 3 do sexo feminino. Quatro cirurgias
foram realiozadas no lado dominante, e três no não-dominante. Na
avaliação prévia, de acordo com critérios da UCLA, os pacientes
tiveram média de 22,14 (variando de 18 a 25). No sexto mês de PO, os
pacientes tiveram média de 32,71(variando de 31 a 36). Todos os
pacientes apresentaram melhora da dor em análise subjetiva( nota
média 10 dor pré operatória para 3,14 PO).
Não houve alterações nervosas ou perdas funcionais pós operatórias.
Discussão
Devido à dificuldade diagnóstica e a baixa prevalência do impacto
coracóide, os números desse trabalho apresentam uma tendência
preliminar. Mesmo assim, nossa técnica artroscópica subdeltídea com
liberação do ligamento córaco-acromial na base do coracóide mostrou-se
eficaz, com bons resultados e segura.
Cremos que o fato de liberar o ligamento córaco-acromial ajuda
globalmente a descompressão do ombro, e melhora também o impacto do
arco córaco-acromial sobre tendões e bursa.
O exame físico dos pacientes deve ser melhor considerado para o
diagnóstico das patologias do ombro, principalmente para o impacto de
Gerber, já que os padrões de diagnóstico por imagem ainda não tem um
?gold standard? para essa patologia, e boa parte dos casos do impacto
coracóide pode ser de origem idiopática.
Deve-se também prestar a atenção para a associação do impacto anterior
com outras patologias do manguito rotador como salientam Lo Parten e
Burkhart(2000), e talvez o tratamento associado dessas patologias possa
levar a melhores resultados na diminuição da dor nestes pacientes.
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